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Existe conhecimento para além da Universidade?

Antes de mais nada: eu sou completamente a favor da universidade, especialmente a pública. É porque a universidade pública existe que temos avanços científicos importantíssimos e, para além disso, reflexões relevantes sobre a vida em sociedade que vão para mais além do pragmatismo. É o lugar em que a curiosidade tão parte da nossa história como humanidade ganha contornos, espaços e recursos para se construir.

Ademais, acredito na universidade como projeto pedagógico e político que pode auxiliar os estudantes a adquirirem uma leitura mais crítica da realidade social e, portanto, como bem nos mostrou Freire, com condições melhores de intervir em seus contextos sociais e econômicos para transformá-los. Por todas essas razões e muito mais, a defesa da universidade pública e os movimentos mais recentes que lutam pela sua democratização são extremamente necessários. 


Mas há um porém.

Esse "no entanto..." eu poderia começar com dados sobre o processo de adoecimento mental entre universitários, pós-graduandos e professores, o que tem sido documentado nas últimas décadas. 

Isso já sabemos.  São as pressões para produzir, o sentimento de culpa de não ser suficiente, o ambiente competitivo, os orientadores difíceis e tóxicos. Do lado dos professores: os cortes de financiamento às pesquisas, as condições precárias da infraestrutura das universidades, as dificuldades de conciliar pesquisa e sala de aula, as brigas de departamento e as exigências cada vez maiores de publicação e internacionalização.

O que acredito é que seja um sintoma de algo maior: a produção universitária não tem mais o mesmo sentido. Não se produz mais com o objetivo de compreender um fenômeno, produzir conhecimento e debater. Inclusive, atualmente temos um grande problema com a produção científica: as revistas não querem mais publicar "resultados negativos", levando a um viés que deturpa a maneira como determinados fenômenos são estudados e conhecidos.  

A pressão para publicar mais é tanta, que os autores mal têm tempo de preparar um texto com a densidade teórica necessária, levando-os a participar de formas ilegais de publicação ou de usar inteligência artificial  (IA) de forma indiscriminada para escreverem mais rápido - e, pasmem, a "revisão por pares" também está sendo feita por IA, afetando a qualidade da avaliação dos trabalhos.

Esse foi o cenário que me deparei em 2025, prestes a terminar o doutorado. Após 13 anos de estudo acadêmico,  optei por não seguir dentro da universidade. Mas como produzir conhecimento fora dela? 

Com base nessa pergunta, que constantemente me interroga também sobre meu desejo de seguir escrevendo e pesquisando, que resolvi criar essa plataforma de pesquisa independente. Eu quero produzir, mas não nessas condições que descrevi. Quero ser lida, criticada, provocar debates. Quero ler, pensar, escrever e conectar ideias. Quero pensar criticamente sobre os problemas contemporâneos dos quais também padeço.... mas não se a consequência disso for adoecer.

Aqui estamos. Seja bem-vindo/a. Espero que eu possa contar com você para nos fortalecermos como comunidade de pesquisa. 

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Curiosidade: por que o nome Ficus?

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uma ficus religiosa para quem ficou curioso

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